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MEMSAGEM EM VÍDEO DO PAPA LEÃO XIV 
AOS PARTICIPANTES NA VI ASSEMBLEIA DA CONFERÊNCIA ECLESIAL DA AMAZÔNIA (CEAMA)

[Bogotá, 16-20 de março de 2026]

[Multimídia]

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A paz do Senhor esteja convosco!

É com alegria que me dirijo a todos vós, amados pastores, consagrados e consagradas, fiéis leigos e leigas que, congregados em Bogotá, participais na VI Conferência Eclesial da Amazónia. Viveis um momento privilegiado de escuta do Espírito Santo para discernir o caminho das comunidades enraizadas naquela região.

Como parte da preparação, que foi acompanhada pela oração, quisestes partilhar comigo alguns dos passos que destes, assim como os desafios que enfrentais. Tornastes-me partícipe dos sofrimentos e esperanças dos habitantes da região, bem como da crescente deterioração do seu ambiente natural. Desejo manifestar a minha proximidade a todas as pessoas que padecem esta situação.

Por este motivo, regozijo-me que a Assembleia tenha entre os seus objetivos a formulação dos Horizontes Pastorais Sinodais , que poderiam constituir um instrumento útil para orientar a proclamação «de um Deus que ama de maneira infinita cada ser humano, que manifestou plenamente este amor em Cristo» (Francisco, Exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazonia, n. 64).

Sei ainda que procedereis à eleição da presidência para o período de 2026-2030 cuja tarefa, entre outras, consistirá em continuar a incentivar a atuação do Sínodo para a Amazónia e, ao mesmo tempo, preparar as contribuições da sua experiência para a Assembleia eclesial em Roma, prevista para o ano de 2028. Estai certos de que vos acompanho com a minha oração neste passo tão importante.

Com o desejo de abrir novos caminhos para a missão da Igreja nesta amada terra, escolhestes um texto bíblico para inspirar as vossas reflexões: «Faço algo novo, que já começou a brotar, não o vedes?» (Is 43, 19). É verdade, algo novo começou a nascer, ainda é frágil, mas já está em ato, talvez impercetível, mas como a semente da árvore shihuahuaco, o “gigante da selva”, que cresce muito lentamente, mas chega a viver mais de mil anos, um colosso com dezenas de metros de altura e uma copa frondosa, que se torna refúgio seguro para águias, tucanos, araras, micos, sakis e esquilos, transformando-se num ecossistema à parte. Caros irmãos, isto pode ajudar a compreender o que a Igreja deseja: ser sinal de unidade na diversidade e refúgio seguro, que gera e ampara a vida.

O futuro promissor e cheio de esperança anunciado pelo profeta Isaías atinge a sua plenitude na passagem do Apocalipse que nos fala de um novo céu e de uma nova terra, pois Deus “faz novas todas as coisas” (cf. Ap 21, 5). Portanto, convido-vos a trabalhar com a confiança de uma fé arraigada em Cristo, que nos repete «amei-te» (Ap 3, 9), porque é precisamente este amor divino-humano de Jesus que nos transforma em homens e mulheres novos. Este amor, contemplado na oração, envia-nos para responder com generosidade e coragem à missão.

Neste sentido, se quisermos pertencer a Cristo — autêntico “gigante da selva”, «gerado antes de todas as criaturas” (Cl 1, 15) — somos chamados a ser «Igreja das bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres» (Exortação apostólica Dilexi te, n. 21).

Certamente, o contexto atual exige uma resposta adequada perante os numerosos desafios sociais, ambientais, culturais e eclesiais que persistem na Amazónia, ameaçada por situações de abuso e exploração. Neste contexto, a flor da paixão, cuja forma peculiar alude de modo impressionante à Paixão de Cristo, e que vós escolhestes como símbolo da Assembleia, representa o papel profético da Igreja e de todos os seus membros, cada qual segundo a própria missão: proclamar o kerygma e a vida nova em Cristo, acompanhar quantos sofrem, salvaguardar a criação e o respeito pela vida em todas as suas formas, especialmente a vida humana.

Outro objetivo da Conferência eclesial, que celebra o seu quinto aniversário, consiste em delinear uma Igreja com “rosto amazónico”, anseio do Sínodo dos Bispos na Assembleia Especial para a Região Pan-Amazónica. Esta tarefa é levada a cabo com a convicção de que, «através da inculturação da fé, a Igreja enriquece-se com novas expressões e valores, manifestando e celebrando o mistério de Cristo de modo cada vez mais eficaz, unindo a fé mais estreitamente à vida e contribuindo assim para uma catolicidade mais plena, não apenas geográfica, mas também culturalmente» (Documento de Aparecida, n. 479).

Caros irmãos e irmãs, a inculturação é um caminho difícil, mas necessário. «É preciso aceitar com coragem a novidade do Espírito, capaz de criar sempre algo novo com o tesouro inesgotável de Jesus Cristo» (Querida Amazonia, n. 69). Por isso, encorajo-vos a prosseguir juntos, pastores e fiéis, no fortalecimento da identidade dos discípulos missionários na Amazónia. Continuai a semear no sulco que foi regado até com o sangue de tantos homens e mulheres que vos precederam e que, unidos à paixão de Cristo, se tornaram raiz de uma “árvore gigante” que cresce na Amazónia.

Confiando os frutos desta Assembleia eclesial à intercessão especial da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe do Criador, concedo-vos de coração a Bênção Apostólica.

E que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós e convosco permaneça sempre. Amém!