PAPA FRANCISCO
MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA
Homem da paternidade
Segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 01 de 4 de janeiro de 2018
O Papa Francisco sugeriu que nos dirijamos a São José — «a sombra do Pai» que «sem proferir uma palavra» e sem se deixar desanimar pelas «bisbilhotices» acreditou e obedeceu a Deus, assumindo «o cargo da paternidade e do mistério» — quando «não compreendemos muitas coisas, temos tantos problemas, tantas angústias, tantas obscuridades». E propôs esta oração: José, «ajuda-nos, tu que sabes como caminhar na escuridão, tu que sabes como se escuta a voz de Deus, tu que sabes como se vai em frente em silêncio».
Precisamente o grande testemunho de José foi apresentado de novo pelo Pontífice, com toda a sua força e atualidade, durante a missa. «Eis como nasceu Jesus Cristo»: repetindo o incipit do trecho evangélico de Mateus (1, 18-24), proposto pela liturgia, Francisco começou a sua meditação. «Quando Maria regressou de Aim-Karim, da casa de Isabel, iniciavam a ser visíveis os sinais da maternidade» recordou. E «José deu-se conta, e não entendia: pensemos neste homem nas dúvidas, na provação, procurava explicações, mas dado que a amava muito e sabia que ela era uma mulher de Deus, não encontrava uma solução para os seus pensamentos». Uma atitude, observou o Papa, certamente «muito diferente daquilo que faziam as bisbilhoteiras da aldeia, no mercado», que quiçá comentavam. “Mas olha esta, como voltou!”»
Foi sobre a «dor de José» que o Pontífice centrou a sua atenção. «Nesta dor, dúvida, mágoa — afirmou o Papa — José não quis mandar embora Maria e resolveu rejeitá-la secretamente». Em síntese, escolheu «não repudiá-la publicamente, porque sabia. Ele conhecia-a: “esta jovem, conheço-a, amo-a, é pura, não compreendo tudo isto”».
Mas precisamente «no meio da sua dúvida, do seu sofrimento, interveio o Senhor num sonho» prosseguiu Francisco, evidenciando que «naquele sonho lhe foi explicado o que tinha acontecido. E José obedeceu: acreditou e obedeceu». As palavras do anjo do Senhor são claras, assim como as cita Mateus no seu Evangelho: «José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo».
Enquanto José vivia esta forte experiência, realçou o Papa, «no mercado bisbilhotava-se: aquelas tagarelices que depois foram em frente, em frente, até àquela blasfémia, na minha opinião a mais horrível, a mais forte contra o Senhor, na boca dos fariseus, que João revela no capítulo 6».
Ao contrário, José lutava no seu íntimo» explicou Francisco. E «naquela luta» eis a voz de Deus que lhe diz: «levanta-te!». E precisamente «levanta-te» é uma frase que se repete «muitas vezes, no início de uma missão, na Bíblia». Portanto, a voz de Deus diz a José: «levanta-te, pega Maria, leva-a para a tua casa; toma as rédeas desta situação e vai em frente».
«José — observou o Papa — não foi ter com os amigos para se confrontar, não foi ter com o psiquiatra para que interpretasse o sonho: nada de tudo isto, acreditou». E «foi em frente, assumiu o controle da situação». Em síntese, José «tinha que assumir a responsabilidade de duas coisas: paternidade e mistério».
Em primeiro lugar, explicou o Pontífice, «José devia assumir a paternidade». E «este trecho evangélico está logo a seguir a genealogia de Jesus, com a qual começa o Evangelho de Mateus: inicia com o pai Abraão e acaba com o pai José». E «há uma frase na genealogia escrita por Lucas: «Jesus quando começou o seu ministério tinha cerca de trinta anos e era filho, como se pensava, de José”». Portanto, Lucas «não diz: “era o filho de José”»; mas, praticamente, escreve que todos pensavam que «era filho de José». Isto significa, afirmou o Papa, que José «assumiu uma paternidade que não era sua: vinha do Pai». E «levou em frente a paternidade com tudo o que comportava: não só sustentar Maria e o menino, mas também fazer crescer a criança, ensinar-lhe uma profissão, acompanhá-lo até à maturidade de homem». Por conseguinte, José assumiu «a paternidade que não é sua, é de Deus, sem proferir palavra: no Evangelho não há palavra alguma proferida por José, o homem do silêncio, da obediência silenciosa».
José, em segundo lugar, assumiu «o mistério: aceitou a paternidade e o mistério». Foi «o mistério que ouvimos na primeira leitura, no trecho de Jeremias» (23, 5-8). «O grande mistério que começa a partir daqui — explicou Francisco — consiste em reconduzir o povo a Deus». Na realidade, «não era o mistério de sair da escravidão do Egito: isto significava reconduzir, o mistério da recriação que, como diz a liturgia, é ainda mais maravilhosa do que a criação». E «José assume este mistério e ajuda com o seu silêncio, com o seu trabalho, até ao momento que Deus o chama a si».
«Deste homem que assumiu a paternidade e o mistério — frisou o Pontífice — afirma-se que era a sombra do Pai, a sombra de Deus Pai». E «Jesus homem aprendeu da vida, do testemunho de José, a chamar “papá”, “pai”, ao seu Pai que conhecia como Deus: o homem que preserva, que faz crescer, o homem que leva em frente qualquer paternidade e qualquer mistério, mas nada conserva para si. Nada».
José «está ali, silencioso», reafirmou Francisco. «Ele — acrescentou — é o grande José, do qual Deus precisava para levar em frente o mistério da recondução do povo rumo à nova criação». Que precisamente o seu «exemplo nos ensine tantas coisas que podemos aprender na reflexão, mas antes de tudo nos dê a coragem de ir ter com ele quando não compreendemos muitas coisas, quando temos muitos problemas, tantas angústias, tantas obscuridade, e dizer-lhe simplesmente: “Ajuda-nos, tu que sabes como caminhar na escuridão, que sabes como se escuta a voz de Deus, tu que sabes como se vai em frente em silêncio”»
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